sexta-feira, 3 de julho de 2026

DO CAMPO DE REFUGIADOS AO REFÚGIO DO CAMPO

 

Foto: Internet/Reprodução


Quem gosta de futebol, gosta de ver Modrić jogar. É simples, complexo, calmo, invisível, mas amplamente decisivo. No entanto, toda essa calma é fruto da turbulência. Modrić é filho da guerra, infelizmente, viveu no auge dos conflitos na antiga Iugoslávia.

Nascido em Zadar, no litoral da Croácia, Modrić deixou a cidade com a mãe e com os irmãos e passou a viver como nômade em hotéis. Refugiava-se em locais diferentes tentando escapar da guerra. Dizem que aprendeu a jogar bola no estacionamento dos hotéis.

Toda a tristeza da guerra, a pobreza, a distância da sua terra poderia ter apagado o brilho de Modrić, mas a tristeza sua e de seu povo foi o combustível para se transformarem um dos maiores camisas 10 contemporâneos.

O menino da guerra, acalma o jogo, controla os ânimos, é lúcido em meio ao caos. É um gênio discreto.

Do Dínamo Zagreb ao Real Madrid, Modrić viu na bola a esperança de felicidade, e venceu a sua guerra dentro das quatro linhas. Encontrou no campo seu refúgio, na camisa 10 sua liberdade, no meio-campo a maestria.

Melhor da copa, melhor do mundo. Melhor para si mesmo e para seu povo. Crescer em meio a guerra teve um propósito, semear a paz por meio da bola.

Vitoriosos são aqueles que compreendem a tristeza e a transformam em alegria, mesmo que seja para os outros.

Texto publicado originalmente durante a copa de 2022. 

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