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segunda-feira, 20 de julho de 2026

​O ABRAÇO DOS DEUSES

 

Foto: internet - Reprodução

​Um abraço, uma despedida, um recomeço!

O abraço de Lamine Yamal e Messi simboliza muitas coisas: um adeus, um afago, um conforto, mas também um obrigado.

​Messi é o jogador do século. Venceu tudo o que podia, venceu tudo o que devia, mas também deu show, espetáculos, verdadeiros atos de um legítimo gênio. No entanto, também sofreu, principalmente com sua gente, sua terra, sua camisa que não se pode tirar.

​Se a Argentina maltratou Messi, ele entendeu que antes da alegria vem o choro, antes da glória vem a luta e que primeiro vem a dor para depois vir o amor.

​E quando o amor chegou, ele transbordou, transcendeu o universo. Cada conquista reafirmava o amor de Messi pela albiceleste.

​Já Yamal é o futuro no presente. É a esperança do futebol lúdico, do drible, da improvisação. Gênios não seguem roteiros. Yamal rabisca as folhas do campo sem medo de errar, sem medo de repetir, sem medo de tentar.

​Yamal é o príncipe que sucede o rei Messi; o trono do bom futebol, da genialidade, do futebol indomável jamais fica vazio.

​Yamal não ganhou a Copa, mas a Copa ganhou Yamal. O futebol agradece aos desobedientes: eles salvam o jogo.

​Para muitos foi só um abraço, mas nós sabemos: foi uma transição.

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sexta-feira, 17 de julho de 2026

“AQUILO QUÉ SE SIENTE"

 

Foto: Internet - Reprodução


Futebol é sentimento. Talvez essa seja uma grande obviedade, mas afinal Argentina e França ratificaram o sentir. Não preciso, e nem vale a pena, ficar falando da técnica francesa ou da raça argentina.

Mas preciso falar daquilo que se sente. Sim, essa foi a final do sentir. Seja a última força, a última esperança, a última raiva.

De fato, tanto Argentina quanto França provaram sentimentos diferentes durante essa Copa. Os franceses sentiram a ausência de inúmeros desfalques, da possível incerteza, das dificuldades pelo caminho.

Já a Argentina sentiu a pressão de não vencer a tanto tempo, se Deus Maradona os abençoaria e se o semi-deus Messi chegaria ao Olímpio argentino carregando o mundo nos braços.

Messi sentiu a Argentina, viveu a Argentina, cantou a Argentina. 

Messi foi batizado pela alma celeste, definitivamente.

Se em algum momento o fogo raro queimou, foi hoje. Cada gol era uma alegria, uma esperança, um peso a menos. 

Jogo a jogo Messi e seus pares foram vencendo as desconfianças, as confianças em excesso, as dúvidas da estrada.

Messi precisou de pequenos detalhes, seja o passe perfeito, o chute despretensioso, o segundo exato. 

Messi viveu a Argentina, a Argentina viveu Messi.

Maradona finalmente descansou por saber que seu trono está seguro, salvo, imortalizado.

Se Atlas sentia o peso do mudo nos ombros. Messi pegou o mundo nas mãos e carregou com leveza, como carrega seus filhos.

A última dança do gênio foi um tango, brilhante, perfeitamente ensaiando e com o drama que tanto marca o ritmo argentino.

Se o futebol não permite facilidades, a Argentina foi moldada nas dificuldades.

Ah, o jogo foi incrível, inesquecível, talvez a maior de todas as finais.

Mas eu não consigo esquecer Messi sorrindo como a criança que ganha a tão sonhada bola, no caso essa bola é dourada, e tem o peso do mundo.

Aquilo que se sente define a vitória. E ninguém sentiu mais que Messi nesta copa.


Texto publicado após a final da Copa de 2022.

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segunda-feira, 6 de julho de 2026

MESSI É AUTISTA OU TEM ALGUM TRANSTORNO DO GÊNERO?

 

Foto: arquivo do blog

Depois de vencer a Copa do Mundo do Qatar com a seleção argentina, uma velha discussão sobre Messi voltou à tona: Messi seria autista? Escrevi essa coluna a pouco tempo e falo sobre essa invenção.

Logo que surgiu para o futebol, o ainda menino Lionel Messi espantou o mundo pela capacidade que tem com a bola nos pés. Não à toa ganhou o apelido de “ET” relativo à extraterrestre, já que muitos o consideram de outro planeta. 

A genialidade e o nível de habilidade com a bola nos pés, concentração e capacidade de tomar decisões rápidas fizeram de Messi um dos maiores de todos os tempos, capaz de conquistar seis bolas de ouro, inúmeros títulos e artilharias. É tão gênio, que conseguiu até levar a Argentina para a final de uma copa do mundo em 2014, uma seleção de grandes valores individuais, mas que tinha sérias dificuldades coletivas. Oito anos depois ele novamente conduz a Argentina para a final, mas dessa vez levantando a taça.

Mas voltando ao craque argentino, uma das formas de tentar explicar o talento subumano de Messi foi dizer que ele era autista, pois somente um “autista” para ter essa capacidade de concentração e realização, e suas atitudes reservadas com a timidez, durante um tempo reforçaram esse estereótipo. 

No entanto, essa informação foi refutada por fontes ligadas ao atleta e também por médicos, a partir disso, começou a circular que Messi realmente não era autista, mas sim, Síndrome de Asperger, um tipo leve de autismo caracterizado pela grande capacidade de aprendizagem e concentração, o que em tese justificaria as habilidades de Messi, porém, uma das características da Asperger é a sensibilidade auditiva o que inviabilizaria a presença dele em um campo de futebol devido ao barulho dos torcedores.

Outro ponto que refuta essa ideia de autismo ou síndromes similares é o livro O garoto que virou lenda de Luca Caioli, que conta a história de Messi, no livro ele fala do tratamento pago pelo Barcelona para uma condição ligada ao crescimento que ele apresentava, porém, em nenhum momento esse tratamento afeta as características esportivas de Messi, visto que o próprio Caioli descreve as façanhas de Messi em Rosário na Argentina ainda na infância.

Além de desinformar, afirmar que Messi seria autista ou teria algum transtorno do gênero,  difundir essa história é uma prática de capacitismo, pois para tentar justificar a síndrome se das características “incríveis” a quem a possui, sendo que isso não é regra, além disso essa prática é uma das formas mais preconceituosas usadas contra as pessoas com deficiência.

Então agora que você já sabe que muito do que se fala de Messi é lenda, se você tem a oportunidade de ver ele jogar, aproveite, pois é um dos maiores de todos os tempos. E principalmente, evite estereótipos. 

Texto escrito originalmente em 2019, reescrito em 2022 e repostado em 2026.

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quarta-feira, 26 de julho de 2017

MESSI: UMA VITÓRIA DE TODOS

Imagem: Google/Divulgação

         Imagine a seguinte situação: Um garoto de 12 anos, longe de seu país, longe de sua mãe e irmãos, se isso não bastasse tudo isso, esse garoto que adora futebol tem problemas de crescimento. Essa é a história de Lionel Messi, contada pelo jornalista e escritor Luca Caioli no livro chamado: Messi o garoto que virou lenda, livro de 212 páginas dividido em capítulos, que proporciona uma leitura agradável e cheia de surpresas sobre a vida de um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos.
            A história de Messi começa quando muito antes do seu nascimento, Messi é fruto da imigração, seus antepassados saíram da Itália, em busca de novas oportunidades no Novo Mundo. “Messi é um sobrenome que vem de Recanati, na província de Macerata, cidade da região italiana de Marcas.
            Sobre Messi, nasceu em Rosário na Argentina em 30 de junho de 1987, parecia ser apenas mais um simples membro da família composta por Célia, Jorge e os outros dois filhos Matías e Rodrigo, anos mais tarde chegará Maria a irmã caçula.
            Messi sempre demostrou ser como um garoto qualquer, sempre gostou de futebol, torcedor do Newell´s Old Boys, chamados de “leprosos”. Junto com sua avó acompanhava seu irmão Rodrigo aos treinos de futebol, até um dia faltando um no time o treinador pediu para colocar Messi, mesmo sendo o menor dos jogadores em campo, ele dominou a partida, tanto que nunca mais saiu do time.
            Assim nasceram muitas histórias a respeito das proezas do pequeno Messi, como quando “um treinador prometeu um alfajor por gol marcado, ele conseguiu devorar oito numa partida só.”
            Com histórias como essa começava a nascer um estrela no céu de Rosário, uma estrela que não brilhou nos grandes Boca Juniors e River Plate, mas que logo alço voos maiores que o levaram para a Espanha. Mas, ainda na Argentina jogou na base do Newell´s, e ali já se apresentavam características que anos depois fariam dele o maior do mundo segundo “Adrián Coria ex-treinador das categorias de base do Newell´s  “As faltas o deixavam com mais vontade, quanto mais iam atrás ele, mais os encarava.”
            Mas, nem tudo na vida de Messi são alegrias, a viagem para a Espanha com 12 anos, ficar longe da mãe e dos irmãos, encarar a desconfiança inicial de alguns dirigentes do Barcelona, tudo isso sempre encantando nos gramados. Messi e a bola tinham uma cumplicidade, o garoto miúdo, tímido se transformava num gigante com a bola nos pés. Mas, seu sonho era jogar futebol, e estava disposto a enfrentar tudo, desde a saudade da família até as injeções todas as noites para crescer.
Outra característica exaltada em muitos momentos do livro foi a humildade de Messi, apesar da fama, dinheiro, publicidade nunca deixou de ser o mesmo menino de Rosário, são muitos os trechos onde isso fica evidente: “Ele tem consciência de quem é. Por isso, ser famoso, dar autógrafos ou tirar fotos com fãs não o incomoda.” Talvez trate as pessoas como gostaria de ser tratado, ou simplesmente, não deixou de ser humano com tudo o que ganhou seja em Barcelona ou em Rosário Messi é diferenciado com todos: Há alguns meses, em Rosário, uma criança o para no sinal. Quer uma foto. O normal seria que Leo abaixasse a janela e que a criança fizesse a foto com o celular. Mas não é assim. Leo estaciona o carro, desce e tira a foto.
Messi é sempre o mesmo dentro e fora de campo e apesar das jogadas, dribles e gols nada para ele é mais importante que a vitória e os títulos coletivos: “O importante não são meus gols, mas a equipe.” Mas, as dificuldades tendem a aparecer, desde a dificuldade de regularização para jogar na Liga, até as suscetivas lesões que deram a ele o apelido de “A estrela de vidro” Mas, nada o abalaria o futebol era o antídoto e estava cercado de estrelas como Ronaldinho Gaúcho, que foi fundamental na sua adaptação e ambientação com os profissionais. O gol contra o Getafe “palgiando” Maradona trás a tona a discussão histórica na Argentina: “Messi é o novo Maradona” pesava a ele a comparação.
O sucesso no Barcelona os títulos, os recordes não se repetiam na seleção, apesar dos títulos na base e nas olímpiadas sempre pediam mais, queriam o Messi brilhante, decisivo, genial. No auge da impaciência foi chamado de “Messi espanhol” pelos Argentinos. Maradona saiu em defesa: “Quem disser que ele não tem sente amor pela camiseta é um estúpido.”
Para Guardiola Messi: “Transformou em habitual o extraordinário.” E isso talvez explique os recordes individuais, as Bolas de Ouro, as conquistas com o Barcelona. Mas, Messi deve muito disso ao pai que cuidou de sua carreira e o deixou apenas jogar futebol, se divertir, ser criança.

O livro conta a história de um craque, um gênio, um dos maiores de todos os tempos. Um cara humilde, tímido, que tem na bola sua melhor companhia. Mas, também conta as dores, as dúvidas, as mágoas, os fracassos com a Argentina. Messi é a mistura disso tudo, um cara família, mas ao mesmo tempo cidadão do mundo. São essas contradições que fazem de Messi um gênio.