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segunda-feira, 20 de julho de 2026

​O ABRAÇO DOS DEUSES

 

Foto: internet - Reprodução

​Um abraço, uma despedida, um recomeço!

O abraço de Lamine Yamal e Messi simboliza muitas coisas: um adeus, um afago, um conforto, mas também um obrigado.

​Messi é o jogador do século. Venceu tudo o que podia, venceu tudo o que devia, mas também deu show, espetáculos, verdadeiros atos de um legítimo gênio. No entanto, também sofreu, principalmente com sua gente, sua terra, sua camisa que não se pode tirar.

​Se a Argentina maltratou Messi, ele entendeu que antes da alegria vem o choro, antes da glória vem a luta e que primeiro vem a dor para depois vir o amor.

​E quando o amor chegou, ele transbordou, transcendeu o universo. Cada conquista reafirmava o amor de Messi pela albiceleste.

​Já Yamal é o futuro no presente. É a esperança do futebol lúdico, do drible, da improvisação. Gênios não seguem roteiros. Yamal rabisca as folhas do campo sem medo de errar, sem medo de repetir, sem medo de tentar.

​Yamal é o príncipe que sucede o rei Messi; o trono do bom futebol, da genialidade, do futebol indomável jamais fica vazio.

​Yamal não ganhou a Copa, mas a Copa ganhou Yamal. O futebol agradece aos desobedientes: eles salvam o jogo.

​Para muitos foi só um abraço, mas nós sabemos: foi uma transição.

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sexta-feira, 17 de julho de 2026

“AQUILO QUÉ SE SIENTE"

 

Foto: Internet - Reprodução


Futebol é sentimento. Talvez essa seja uma grande obviedade, mas afinal Argentina e França ratificaram o sentir. Não preciso, e nem vale a pena, ficar falando da técnica francesa ou da raça argentina.

Mas preciso falar daquilo que se sente. Sim, essa foi a final do sentir. Seja a última força, a última esperança, a última raiva.

De fato, tanto Argentina quanto França provaram sentimentos diferentes durante essa Copa. Os franceses sentiram a ausência de inúmeros desfalques, da possível incerteza, das dificuldades pelo caminho.

Já a Argentina sentiu a pressão de não vencer a tanto tempo, se Deus Maradona os abençoaria e se o semi-deus Messi chegaria ao Olímpio argentino carregando o mundo nos braços.

Messi sentiu a Argentina, viveu a Argentina, cantou a Argentina. 

Messi foi batizado pela alma celeste, definitivamente.

Se em algum momento o fogo raro queimou, foi hoje. Cada gol era uma alegria, uma esperança, um peso a menos. 

Jogo a jogo Messi e seus pares foram vencendo as desconfianças, as confianças em excesso, as dúvidas da estrada.

Messi precisou de pequenos detalhes, seja o passe perfeito, o chute despretensioso, o segundo exato. 

Messi viveu a Argentina, a Argentina viveu Messi.

Maradona finalmente descansou por saber que seu trono está seguro, salvo, imortalizado.

Se Atlas sentia o peso do mudo nos ombros. Messi pegou o mundo nas mãos e carregou com leveza, como carrega seus filhos.

A última dança do gênio foi um tango, brilhante, perfeitamente ensaiando e com o drama que tanto marca o ritmo argentino.

Se o futebol não permite facilidades, a Argentina foi moldada nas dificuldades.

Ah, o jogo foi incrível, inesquecível, talvez a maior de todas as finais.

Mas eu não consigo esquecer Messi sorrindo como a criança que ganha a tão sonhada bola, no caso essa bola é dourada, e tem o peso do mundo.

Aquilo que se sente define a vitória. E ninguém sentiu mais que Messi nesta copa.


Texto publicado após a final da Copa de 2022.

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sábado, 11 de julho de 2026

DOIS CACHORROS

Foto: criada pelo Gemini

 Talvez ele nunca tenha vivido sem a presença de cachorros. Desde suas primeiras lembranças sempre há um cãozinho presente. Seja os da chácara da sua avó, da rua, que levava para casa ou dos que apareciam em seu portão pedindo comida ou água e retribuindo com muito carinho. 

Crescer rodeado de cães e outros animais fez dele um defensor da causa. Tornou-se médico veterinário e usava seu conhecimento para ajudar ONGs e animais abandonados. 

Lembrava com carinho de seus companheiros caninos, os seus inclusive, carregava na pele uma tatuagem. 

A nova vida numa metrópole fazia pela primeira vez com que ele não tivesse cachorros. Não achava justo com o animal deixar ele trancado num espaço de 50 metros quadrados. 

Mas isso estava prestes a mudar. Estava decidido a mudar de vida, morar numa cidade menor, num terreno grande, uma casa tranquila com pelo menos dois cachorros. 

Não foi difícil achar a casa. Seus amigos da ONG indicaram um condomínio em construção, terrenos grandes, segurança e tranquilidade.

Agora o desafio era escolher os parceiros caninos, pensou em adotar, pegar um da rua mesmo, mas algo martelava em seu pensamento. Recentemente ele havia tratado um Dog Brasileiro, cão surgido nos anos 1970 em Caxias do Sul, da mistura de Bull Terrier e Boxer. 

Resolveu ir até lá, conheceu vários canis, até encontrar seus novos parceiros. Um todo branco e um todo preto, chamou-os de Sombra e Escuridão, em referência ao lendário filme dos leões na África. 

E por falar em leões, os cães eram fortes de porte médio, latido forte e extremamente leais. Perfeitos para a guarda da propriedade. A relação com eles era ótima, pois além de proteger a casa, ele sabia que ao chegar teria companhia para passar as noites e os  momentos em que não estava no trabalho.

Aproveitando seus conhecimentos e vivência com os animais para treiná-los. Eles eram cães de proteção, porém, também eram cães de companhia, por isso, treinamento era essencial.

Em meio a isso, não faltava diversão, banhos de mangueira em dias quentes, futebol no fim da tarde, brincadeiras na chuva. Os cães faziam a alegria dele, e também, de algumas pessoas na vizinhança, principalmente, das crianças.

Apesar de serem cães grandes e fortes, eles eram extremamente dóceis e carinhosos com as crianças.

Foto: criada pelo Gemini

Era quase tudo perfeito, já que alguns vizinhos ainda eram receosos por causa dos cães no condomínio. Especialmente um, o comerciante do condomínio não gostava dos animais e expressava isso abertamente, xingava os animais quando passava em frente a casa, fazia campanha nos grupos de WhatsApp sobre o perigo daqueles animais que segundo eles eram “selvagens”.

Porém, nunca havia tido qualquer incidente, bem ao contrário, tanto Sombra quanto Escuridão cuidavam da casa deles e dos vizinhos. Os latidos fortes e o porte imponente afastavam curiosos.

Mas nem mesmo isso acalmava o tal vizinho que parecia ter uma obsessão nos animais. Inclusive por diversas vezes já havia denunciado a presença deles para a Guarda Municipal, mas como não havia evidências ou incidentes, as denúncias eram vistas apenas como reclamações.

Aquela semana foi diferente. Triste. Sem futebol, sol, mas com muita chuva. Os cães estavam tristes por não poder fazerem o que mais gostavam. No entanto, a tristeza da chuva, não seria nada comparada ao que viria, aquela casa, aquela rua e aquele bairro não seriam mais os mesmos. 

A noite escura e o céu carregado permaneceriam ali por muito tempo. Tudo começa numa das tantas noites de chuva, pois os cães não vieram o encontrar, mas estava tudo bem, apenas não queriam se molhar.

Nas redes sociais o comerciante continuava a difamar os animais, era tão chato que ninguém mais ligava, mas ele seguia naquilo que parecia ser sua missão, uma obsessão quase doentia.

No dia seguinte a chuva seguia e novamente os cães não estavam à sua espera, tranquilo ele deduziu que era por conta da chuva. Porém, achou estranho que havia marcas na grade e marcas de pegadas na grama. 

Seguiu as pegadas, o caminho antes, rápido e rotineiro, parecia não ter fim, a bagunça e a sujeira atrapalhavam os passos, até que ele viu algo que o faria de vez parar de andar. A pata de um dos cães e a porta entreaberta, ele acelerou e viu a cena que mudaria para sempre a sua vida.

Seus melhores amigos estavam desacordados, no desespero puxou-os para fora para tentar reanimá-los, porém, nada funcionava, naquele momento as lágrimas já se misturavam com a água da chuva quando ele os colocou dentro do carro e levou para uma das clínicas que trabalhava. Fez tudo o que pode desde reanimações até exames e procedimentos, mas nada adiantava.

Ali naquele momento, o médico deu lugar ao homem que amava seus amigos sobre todas as coisas. O choro era de dor, raiva, impotência, a mais pura tristeza de um ato inexplicável, afinal, eles não faziam mal a ninguém, mas faziam muito bem a ele.

Sozinho colocou os cães numa mesa cirúrgica, tirou sangue e examinou, abriu a barriga e retirou do estômago uma massa de cor estranha que parecia uma mistura de várias coisas.

Usando os equipamentos da clínica fez exames no sangue e naquela coisa que estava no estômago dos animais. Encontrou a substância xilitol. Essa substância pode causar um aumento na insulina que circula no corpo do cachorro. Isso pode diminuir o açúcar do sangue e levar à insuficiência hepática (problemas no fígado) e em grande quantidade leva à morte.

Estava provado, seus amigos haviam sido mortos, chamou a Guarda Municipal, fez a denúncia e pediu uma investigação. A notícia logo se espalhou e foi um misto de dor, comoção e homenagens aos cães e seu fiel amigo que ficava sozinho.

Os dias seguintes foram os piores da sua vida, a solidão da morte, não era parecido com nada que já havia vivido. A casa ficou imensa, o jardim perdeu a cor, nem o sol que voltou brilhava para ele. Era difícil pensar, levantar da cama, trabalhar, respirar. Não haviam palavras, atos, desejos. A tristeza tomava seu corpo, circulava em suas veias, transpirava por sua pele.

A cabeça vazia só pensava em uma coisa: Vingança. Mas do que, de quem? O tempo livre começou a fazê-lo raciocinar, começou a juntar as peças do macabro quebra-cabeça do vazio da sua vida. E todos os caminhos levavam ao vizinho comerciante que odiava seus cães, o homem que chegou a soltar fogos ao saber da morte. 

Tomado pela raiva foi até o comércio do homem, o pegou pelo colarinho e o arrastou para a rua, mas antes que pudesse agredi-lo, os outros vizinhos o separam e o seguraram. Essa atitude foi interpretada como irracional, afinal a tristeza ainda era grande e a ferida estava aberta. Diante disso, seus amigos e colegas acharam que isso era um caso de tratamento médico, à força, o levaram num psiquiatra que o diagnosticou com uma profunda tristeza e um trauma por tudo o que havia visto e vivido.

O médico recomendou afastamento da casa e um período em uma clínica para que pudesse ser acompanhado por uma equipe de profissionais. Estranhamente, ele aceitou sem reclamar.

Na clínica ele não interagia com ninguém, não conversava nem mesmo nas sessões de terapia. Apenas rabiscava um caderno e se trancava no quarto por horas, às vezes mais de um dia, em diferentes momentos, os funcionários tiveram que recorrer à chave reserva para entrar, mas como nunca houve incidentes graves, não retiravam a chave dele.

Enquanto isso, o comerciante do bairro continuava a viver sua vida normalmente. Até que aquele homem chegou, alto, forte, tatuado, cabelo e barba compridos e pediu um remédio para silenciar cachorros, essa era a senha para o composto de xilitol. Ele abriu uma gaveta embaixo do balcão e entregou para o homem um composto de uma massa cinzenta e disse - Isso é tiro e queda, testado e aprovado - o homem sorriu, pagou e saiu. O comerciante baixou a porta de metal satisfeito com o dia e com o lucro extra.

Na clínica, ele parecia bem, ainda em silêncio com seu caderno trancou-se e avisou - preciso ficar sozinho - suas únicas palavras na semana. No condomínio, pela primeira vez em anos, a porta do comércio não se abriu, mas como não havia nenhum comunicado especial, pensaram que poderia ser um imprevisto ou até mesmo uma folga. O que ninguém sabia é que na noite anterior, logo depois de baixar a porta, ele teve uma visita, o mesmo homem que comprou o composto, estava ali e o atingiu na cabeça.

Ao acordar com a cabeça inchada e sangrando percebeu que estava num lugar estranho, uma espécie de galpão, úmido e fedorento. Ao sentir frio percebeu que estava nu e preso em uma coleira, os braços e pernas também estavam presos, parecia um cãozinho indefeso.

Conforme foi abrindo os olhos foi vendo o homem que havia vendido o composto, sentado à sua frente lhe observando. O pavor que tomava seu corpo era maior que o frio de um corpo nu. Quis gritar e só então percebeu que estava com uma espécie de focinheira que o impedia de falar.

O homem se aproximou e disse: - Espero que goste da sua nova casa. Ele ainda tentou falar, mas a focinheira o impedia.

Logo viu o desconhecido colocar sobre a mesa o composto comprado e perguntar: - então é você que anda matando os animais por aqui?

Novamente ele tentou falar, mas sem sucesso. O homem então pegou um chicote e se aproximou, seus olhos estavam esbugalhados de medo. A primeira chicotada nem doeu tanto, pois o medo era maior, mas na sequência foram tantas que logo ele se anestesiou. Com a pele marcada e o corpo encolhido, ele chorava como uma criança que se perde da mãe na multidão.

Então o homem veio e tirou a focinheira e refez a pergunta: então é você que anda matando os animais por aqui?

Com a voz trêmula de dor e medo, o comerciante respondeu: - Não, eu nunca matei nenhu… Antes de terminar, levou uma chicotada no rosto. O homem foi até a mesa, pegou o composto e disse - Então quem me vendeu isso?

O comerciante apavorado tentou explicar, mas não conseguia falar, pois chorava tanto que não conseguia formular as frases.

O homem então puxou as correntes e o deixou de quatro como se fosse um cachorro. E começou a falar: - Se você não vende porque tinha vários na gaveta? Se você não vende porque lançava essas vendas na sua contabilidade como lucro extra? Se você não vende porque comemorou mortes de animais?

O comerciante ainda tentou argumentar: - eu nunca fiz isso! Tudo bem, vendia sim, mas jamais usei em nenhum animal.

O homem o interrompe: - chega! Eu te investigo há meses. Comprei várias vezes esse composto, inclusive você me deu dicas de como usar, contou até casos de sucesso. Você não pode fugir - nesse momento, o comerciante entrou em pânico, pedia perdão, gritava, implorava. 

Após se acalmar veio a pergunta: - O que você vai fazer comigo?

O homem então respondeu: - Vou me certificar que você nunca mais faça isso e sirva de exemplo para que outros que pensam como você não façam também. - Ao terminar de falar, virou-se e puxou uma mala com vários objetos e colocou sobre a mesa.

Tirou dela um facão daqueles do tipo xingu, muito usado por cortadores de cana-de-açúcar. Caminhou até o homem e disse: - vou te tratar como meu cachorrinho.

Enquanto andava pelo galpão e passava uma lima no facão, explicava para o comerciante procedimento considerados padrões para alguns cães como castração e corte do rabo, que apesar de ser contra, entendia quem fazia. Ao terminar, puxou as correntes que o prendiam para que ele abrisse as pernas e os braços, andou até ele, encostou o facão nos genitais. Nesse momento, novamente, ele implorava, mas os gritos de suplício em nada afetam aquele homem que disse: - Vamos aos procedimentos, primeiro a castração para garantir que não haja reprodução. - Nesse momento, segurou os testículos do comerciante e num golpe seco e rápido cortou os dois. Ele berrava de dor até que o homem disse: - Fique calmo, o corte foi pequeno, vai sangrar um pouco, mas você não vai morrer.

Continuou andando em volta do comerciante e falou sobre a caudectomia, procedimento de corte do rabo dos cães e suas razões históricas. Ao passar por trás dele, mais um golpe seco, na altura do cóccix, que tirou um filete de carne e disse: - Pronto cãozinho, agora você está sem cauda.

A essa altura o comerciante já delirava de dor. O homem ainda colocou curativos para conter o sangramento. Porém, voltou à mesa, e continuou a falar: - Além da castração, o corte do rabo tem outras coisas que podem ser cortadas, entre elas está a conchectomia, que consiste em cortar a orelha dos cães - . Nesse momento, virou-se e segurava uma daquelas tesouras de jardinagem e veio em direção a ele. A cada passo, ele batia as lâminas da tesoura deixando o outro apavorado.

Ao chegar encostou na orelha esquerda e cortou a metade, o outro só viu um pedaço de sua orelha no chão, na sequência fez o mesmo na direita. O comerciante chorava, implorava, mas eram tantas sensações que praticamente não conseguia nem levantar a cabeça.

O homem então pega sua cabeça e a levanta, num lapso de resposta, o comerciante cospe nele uma mistura de lágrimas, saliva e sangue. O homem se limpa e diz - Cachorrinho malcriado vai ter que usar focinheira. E trouxe uma de metal que mais parecia um arreio de cavalo, colocou e disse: - Como você foi malvado, vai ter que fazer uma escolha: cada vez que você comer, esse mecanismo que está dentro da sua boca vai rasgar ela um pouco, então você escolhe, ou come e rasga a boca ou passar fome. - Antes de sair, o homem colocou uma tigela de comida na frente dele e saiu.

Na clínica o luto ia passando, depois de alguns dias recluso, ele saiu e começou a socializar. Seria um sinal de melhora? Participou de algumas atividades, leu jornal e assistiu televisão.

Enquanto isso, o comerciante fez a escolha, dias sem comer doíam mais que uma boca rasgada. Comeu aquela comida com prazer mesmo quando se misturou com sangue do seu rosto.

Quando o homem voltou, o comerciante estava com a boca rasgada até a altura dos olhos. Ele foi até a mesa, pegou um alicate grande e começou a falar: - Existem casos de cães que precisam ter as unhas e até parte dos dedos cortados para garantir sua saúde - Chegou próximo, e avaliou as mãos presas e foi dedo a dedo prensando com o alicate. E esmagou até a falange distal dos dez dedos.

Os dias de tortura fizeram o comerciante ficar alerta, por mais dor que sentisse, ainda estava lúcido, tentava falar, mas o corte na boca atrapalhava. O homem então retirou a focinheira e colocou na frente dele um espelho e disse: veja o que você é agora, veja quem você é de fato.

A cena de horror lhe deu forças para dizer: - você pode me matar, mas seus cachorros estão podres, não voltarão e nada que você faça vai apagar o prazer que tive com as mortes.- Nesse momento, o homem pegou o chicote e deu-lhe várias chicotadas e disse: - cachorro mau em tom irônico.

Mesmo gemendo veio mais: - Não sei qual era seu cachorro, mas tive o prazer de matar os cães daquele médico metido a salvador dos cachorros. Nesse momento, o homem se aproxima, levanta a cabeça dele com uma mão e começa a tirar o disfarce, o cabelo, a barba, as tatuagens… tudo falso! E diz: - eu sou o médico e você matou meus melhores amigos. e completou: - Os anos de teatro na infância serviram, criei uma personagem, te investiguei e planejei tudo, inclusive nossa briga e a minha internação.

O comerciante novamente retrucou: - Não adianta, vão descobrir que foi você! - O homem respondeu: Quer apostar? Para todos os efeitos, estou na clínica, sua morte vai parecer um acerto de contas por conta das drogas que vão achar no seu estabelecimento e a última vez que você se alimentou, ingeriu um composto com pó de alumínio que mata sem deixar vestígios. Adeus!

Após isso saiu sem olhar para trás. 

Na clínica ele parecia estar recuperado, sentado assistia à TV, quando o plantão interrompeu “homem é encontrado em galpão com sinais de tortura e mutilações, a suspeita é que seja por acerto de contas, já que a polícia encontrou drogas em seu estabelecimento”.

Desligou a TV, levantou e foi até a administração e disse sorrindo: - Quero minha alta!


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segunda-feira, 6 de julho de 2026

MESSI É AUTISTA OU TEM ALGUM TRANSTORNO DO GÊNERO?

 

Foto: arquivo do blog

Depois de vencer a Copa do Mundo do Qatar com a seleção argentina, uma velha discussão sobre Messi voltou à tona: Messi seria autista? Escrevi essa coluna a pouco tempo e falo sobre essa invenção.

Logo que surgiu para o futebol, o ainda menino Lionel Messi espantou o mundo pela capacidade que tem com a bola nos pés. Não à toa ganhou o apelido de “ET” relativo à extraterrestre, já que muitos o consideram de outro planeta. 

A genialidade e o nível de habilidade com a bola nos pés, concentração e capacidade de tomar decisões rápidas fizeram de Messi um dos maiores de todos os tempos, capaz de conquistar seis bolas de ouro, inúmeros títulos e artilharias. É tão gênio, que conseguiu até levar a Argentina para a final de uma copa do mundo em 2014, uma seleção de grandes valores individuais, mas que tinha sérias dificuldades coletivas. Oito anos depois ele novamente conduz a Argentina para a final, mas dessa vez levantando a taça.

Mas voltando ao craque argentino, uma das formas de tentar explicar o talento subumano de Messi foi dizer que ele era autista, pois somente um “autista” para ter essa capacidade de concentração e realização, e suas atitudes reservadas com a timidez, durante um tempo reforçaram esse estereótipo. 

No entanto, essa informação foi refutada por fontes ligadas ao atleta e também por médicos, a partir disso, começou a circular que Messi realmente não era autista, mas sim, Síndrome de Asperger, um tipo leve de autismo caracterizado pela grande capacidade de aprendizagem e concentração, o que em tese justificaria as habilidades de Messi, porém, uma das características da Asperger é a sensibilidade auditiva o que inviabilizaria a presença dele em um campo de futebol devido ao barulho dos torcedores.

Outro ponto que refuta essa ideia de autismo ou síndromes similares é o livro O garoto que virou lenda de Luca Caioli, que conta a história de Messi, no livro ele fala do tratamento pago pelo Barcelona para uma condição ligada ao crescimento que ele apresentava, porém, em nenhum momento esse tratamento afeta as características esportivas de Messi, visto que o próprio Caioli descreve as façanhas de Messi em Rosário na Argentina ainda na infância.

Além de desinformar, afirmar que Messi seria autista ou teria algum transtorno do gênero,  difundir essa história é uma prática de capacitismo, pois para tentar justificar a síndrome se das características “incríveis” a quem a possui, sendo que isso não é regra, além disso essa prática é uma das formas mais preconceituosas usadas contra as pessoas com deficiência.

Então agora que você já sabe que muito do que se fala de Messi é lenda, se você tem a oportunidade de ver ele jogar, aproveite, pois é um dos maiores de todos os tempos. E principalmente, evite estereótipos. 

Texto escrito originalmente em 2019, reescrito em 2022 e repostado em 2026.

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sexta-feira, 3 de julho de 2026

DO CAMPO DE REFUGIADOS AO REFÚGIO DO CAMPO

 

Foto: Internet/Reprodução


Quem gosta de futebol, gosta de ver Modrić jogar. É simples, complexo, calmo, invisível, mas amplamente decisivo. No entanto, toda essa calma é fruto da turbulência. Modrić é filho da guerra, infelizmente, viveu no auge dos conflitos na antiga Iugoslávia.

Nascido em Zadar, no litoral da Croácia, Modrić deixou a cidade com a mãe e com os irmãos e passou a viver como nômade em hotéis. Refugiava-se em locais diferentes tentando escapar da guerra. Dizem que aprendeu a jogar bola no estacionamento dos hotéis.

Toda a tristeza da guerra, a pobreza, a distância da sua terra poderia ter apagado o brilho de Modrić, mas a tristeza sua e de seu povo foi o combustível para se transformarem um dos maiores camisas 10 contemporâneos.

O menino da guerra, acalma o jogo, controla os ânimos, é lúcido em meio ao caos. É um gênio discreto.

Do Dínamo Zagreb ao Real Madrid, Modrić viu na bola a esperança de felicidade, e venceu a sua guerra dentro das quatro linhas. Encontrou no campo seu refúgio, na camisa 10 sua liberdade, no meio-campo a maestria.

Melhor da copa, melhor do mundo. Melhor para si mesmo e para seu povo. Crescer em meio a guerra teve um propósito, semear a paz por meio da bola.

Vitoriosos são aqueles que compreendem a tristeza e a transformam em alegria, mesmo que seja para os outros.

Texto publicado originalmente durante a copa de 2022. 

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segunda-feira, 4 de maio de 2020

CAPITÃO DA INDÚSTRIA

Foto: Internet/Divulgação


Ele sentia-se mal sem saber a razão. Já havia procurado tantos médicos, mas sua doença era um mistério, um grande mistério, poderia ser uma depressão, ou algo parecido, mas com agravantes.
            Sentia-se mal, indisposto, infeliz a solidão de anos começava a incomodar, nesses momentos lembrava até da mulher que abandonou há anos. Abandono este causado pelo trabalho, que durante mais de cinquenta anos fez parte da sua vida e que só o deixou porque foi obrigado.
            Durante essas cinco décadas nunca teve tempo livre, nunca pensou em outra coisa a não ser no trabalho, ele dormia para trabalhar, ele comia para trabalhar, ele corria para trabalhar, só enxergava números, estatísticas, prazos, valores, lucros, débitos, ativo, passivo....
            Lutou ao máximo para não se aposentar, ainda sentia-se útil, jovem e tinha mais experiência de qualquer outro que pudesse vir a substituí-lo, mas obrigado pelo dono da empresa assinou os documentos. Enfim, veio a aposentadoria, junto veio o tédio e a sensação de inutilidade ao perceber que não tinha nada para fazer, pois só sabia trabalhar.
            Sentindo-se assim logo apareceu a tal doença, no primeiro mês não deu muita importância, pensando que logo aquelas sensações ruins passariam, mas passou o mês e tudo continuava igual, ou pior. A sensação de inutilidade, mal-estar, cansaço tristeza, fadiga. Resolveu procurar um médico.
            Chegando ao consultório contou o que estava acontecendo ao doutor que lhe deu um relaxante muscular, explicando que após tantos anos de trabalho seu metabolismo estava estranhando a falta da rotina agitada que tinha antes de se aposentar. Passado um mês ele deveria retornar, quando retornou estava ainda pior, além do cansaço físico era notável o abatimento psicológico, olheiras, desânimo, estava mergulhado em uma tristeza absoluta, o médico ao ver seu estado acrescentou lhe mais um medicamento um antidepressivo, passado mais um tempo ele retornou ao consultório e nada de melhorar, fez inúmeros exames que nada mostravam, mas seu estado físico e psicológico só piorava.
            O médico ao vê-lo e analisar seus exames que nada mostravam ficou intrigado, paralisado na dúvida, pois em todos aqueles anos de profissão jamais havia tratado um caso tão intrigante, ele começava a entender a suposta gravidade de sua doença ao olhar para o médico e ver que ele estava perplexo. Então perguntou a ele: - doutor o que eu tenho? É grave? O médico olhou em seus olhos respirou fundo e disse: - Não sei. Mas continuou: - eu teria duas opções de tratamento para o senhor, interná-lo ou mandá-lo retornar ao trabalho, como acho que a primeira opção será tão inútil quanto foram os tratamentos até agora, peço que o senhor volte a trabalhar.
Ao ouvir aquela noticia, ele parecia renascer, toda a angústia, tristeza, solidão, dores, pensamentos negativos, abatimento psicológico sumiu, sentia o bom e velho capitão da indústria de sempre renascendo das cinzas da aposentadoria. Saiu do consultório direto procurar um emprego, o tempo passou, foi ocupado pelo novo emprego, mas dois meses depois ele retornou.
Aparentemente ele estava bem, feliz, com brilho nos olhos, cheio de planos, mas o doutor ao ler seu nome no prontuário e chamá-lo para a consulta ficou receoso, pois mandá-lo trabalhar era sua estratégia para tentar encontrar uma cura ou um alívio para aquela estranha doença. Ele entrou e sentou, nem esperou e médico começar a falar e disse: - Obrigado por me curar doutor!

PUBLICADO NO JORNAL A FOLHA
DE NOVA HARTZ SEMANAL ANO VIII
EDIÇÃO N° 299 SEXTA-FEIRA 03 DE MAIO DE 2013

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

O Desafio Farroupilha foi realmente inclusivo?

Foto: Divulgação

O Desafio Farroupilha é um reality show gaúcho realizado pela RBS TV, afiliada da Rede Globo, no Rio Grande do Sul. O objetivo do programa é valorizar e exaltar a cultura do Estadol em uma competição que envolve música, dança e outras expressões do tradicionalismo.

Em 2017, por exemplo, a competição teve a temática da dança e o grande vencedor foi o CTG Farroupilha, de Alegrete sendo que a final ocorreu no Teatro Unisinos, em Porto Alegre. Em 2018, a temática foi inclusão social.

Como o próprio quadro anunciou o reality “Desafio Farroupilha 2018”, seria diferente e realmente foi, pois na sua quinta edição, o tema foi inclusão social. A escolha se deu para contar a história de uma moça cega que é apaixonada pela cultura gaúcha.
O reality nas suas edições anteriores sempre teve um viés competitivo, que termina com a apresentação final dentro do Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (ENART), considerado o maior evento de arte da cultura gaúcha. Mas, logo no primeiro episódio a diferença ficou clara, pela primeira vez o reality não seria uma competição.

O fato de não ser uma competição foi explicado pelos apresentadores no início, logo com 1m44s, mas o que isso tem haver? No universo da inclusão tudo! Pois justamente quando se trabalha a ideia de incluir e mostrar o mundo da pessoa com deficiência não se compete, ou seja, se passa uma ideia de que as pessoas com deficiência não tem essa capacidade para competir.

Outro ponto importante é a apresentadora evidenciar o fato do reality ter LIBRAS e audiodescrição, como se isso “engrandecesse” a iniciativa do programa, mas para quem não sabe tanto LIBRAS quanto a audiodescrição são mecanismos de acessibilidades previstos na Lei Brasileira de Inclusão n° 13.146/2015.

Art. 65. As empresas prestadoras de serviços de telecomunicações deverão garantir pleno acesso à pessoa com deficiência, conforme regulamentação específica.

Ainda sobre o episódio um, ficou claro em vários momentos a falta de conhecimento de causa dos envolvidos, cometeram erros primários como confundir cego e deficiente visual, além disso, inúmeras vezes se repetiram as expressões “exemplo de superação, inspiração”, frases que dentro do conceito inclusivo, dificultam a inclusão de fato e distanciam a pessoa com deficiência das demais.

Entenda a diferença entre cegueira e deficiência visual:
Cego: É considerada cega a pessoa que não tem ou nunca a possibilidade de enxergar, já a pessoa com deficiência visual, tem diferentes graus de visão.

Vale ressaltar o nome do desafio “Olhos do coração”, logicamente, todos sabemos, que os corações não tem olhos e que nenhum cego enxerga pelo coração, mas então por que usar essa expressão? Simples! A utilização de figuras de linguagem, principalmente, emotivas evitam a discussão e a reflexão sobre determinado assunto, no caso, a inclusão de fato das pessoas com deficiência.

No episódio 2: Foi importante mostrar outros exemplos de inclusão em outras localidades, mas em todos eles se supervalorizou a ação, colocando tanto a pessoa com deficiência quanto os agentes inclusivos com seres diferenciados, quando na verdade apenas cumpriram seu papel. Novamente apareceu muito a ideia do exemplo, como se fosse obrigação de uma pessoa com deficiência ser exemplo para as demais. Outro ponto interessante foi usar o exemplo do Daniel, menino surdo-mudo, dizendo que ele aprendeu muito rápido, como se alguém que não fala e não ouve não pudesse aprender outras coisas.
Ainda nesse episódio um detalhe foi esquecido, em determinado momento aparece um moça surda, porém, oralizada fato que não foi explicado, sendo que o censo comum diz que todo surdo é mudo e vice-versa, mas na verdade isso é mito.
Nesse episódio também foi presente a ideia “Dom de ver, reclamar menos, pelo menos ouvimos a música e voz do coração”, essas expressões mesmo que de forma não intencionais demonstram preconceito.. Devo reclamar menos por andar quando encontro um cadeirante? Não! Devo entender que o fato dele não andar não o torna um coitado ou incapaz, e evidenciar as demais qualidades dele. Esse tipo de frase citada acima isola, consola e impede um olhar amplo sobre a capacidade da pessoa com deficiência.

No episódio 3, um das coisas que mais marca é a ingenuidade da ideia do “Troca de papéis”, como se viver algumas horas ou um dia a experiência de uma deficiência pudesse fazer com que alguém entendesse a complexidade da situação, isso além de não funcionar, ainda reforça sentimentos como superação, heroísmo entre outros que como citado acima atrapalham no processo inclusivo.
Neste episódio, logo aos 0:48s, o apresentador reforça a ideia de que não haverá competição no reality.  É neste que mais elementos errados são possíveis de encontrar palavras com “deficiente, transformação, males da deficiência, força de vontade, sofrimento” entre outros que marcam muito. É nele também que durante a troca de papéis que uma moça caminha sobre o piso tátil vendada dizendo que ele ajuda, sendo que esse piso é para ser tocado com a bengala, e também não se explica o que piso significa nem para que serve aquele que ela “andou” sobre.

O episódio 4, da atenção a acessibilidade dos CTG´s e mostra bons exemplos de adaptação, porém, novamente são comuns as expressões “deficientes, guerreiro, batalhador”, e novamente se confunde cego e deficiente visual, uma das frases mais marcantes do episódio “Vieram para salvar as outras pessoas”, como se uma pessoa com deficiência fosse um recado de Deus, um castigo ou um alerta.. E sabemos que a deficiência é uma condição da vida humana, então não cabe à ideia de castigo nem de benção.
O episódio 5, é a apresentação final, nele novamente estão presentes a ideia de superação, sentir na pele entre outras já citadas acima.

Considerações finais

Dizer que a mídia precisa evoluir muito para falar de pessoa com deficiência é, chover no molhado, por isso, eles deveriam dar mais atenção a causa e entender a importância de usar a nomenclatura correta, de não misturar conceitos, combater a ideia de capacitismo.

Em todos os episódios a apresentadora fez questão de lembrar da LIBRAS e audiodescrição como se isso fosse um “algo a mais” quando na verdade é obrigação das empresas de comunicação oferecer acessibilidade.
A formação acadêmica tem certa culpa nesse processo, afinal seja qual for o curso, o ensino é raso e não se da à devida atenção as causas como a da pessoa com deficiência. Mas, cabe ao jornalista se preparar, estudar e buscar conceitos com especialista, pois a abrangência de uma produção jornalística como esta é imensa, desta forma as informações e conceitos apresentados errados ou como similares compromete muito o processo de inclusão, principalmente, em uma sociedade na qual as pessoas tem o hábito de aprender pela televisão.

Desta forma e diante dos conceitos apresentados, é possível afirmar que o “Desafio Farroupilha” não é inclusivo, pois peca em questões primordiais para o processo de inclusão, além de ter se mostrado capacitista, supervalorizando as ações de uma pessoa com deficiência e criando a ideia de é preciso  uma “super ação” para de fato incluir.

terça-feira, 3 de abril de 2018

DIA MUNDIAL DE CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE O AUTISMO



                     Desde 2008, a ONU (Organização das Nações Unidas), instituiu o dia 02 de abril como o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, um dia de reflexão e luta por uma melhor qualidade de vida e inclusão social das pessoas com Autismo. Estima-se que no Brasil existem aproximadamente 2 milhões de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e 70 milhões em todo mundo.
                Entre os principais problemas enfrentados pelas pessoas com autismo estão o preconceito e a discriminação cultural, já que a deficiência, na maioria dos casos, não é visível, ou seja, não apresentam aspectos visuais ou marcas no corpo.
                Em 2017, foi divulgado um estudo feito pelo CDC (Center of Deseases Control and Prevention), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, revela que uma a cada 100 crianças no mundo nasce com autismo, o que mostra que houve um aumento nos casos, pois há alguns anos, a estimativa mostrava que era um caso a cada 500 nascidos. A pesquisa ainda mostra que a maioria dos casos são em meninos.
                Segundo a Associação Brasileira de Autismo, (ABA), o Transtorno do Espectro Autismo, caracteriza por alterações presentes desde os primeiros anos de idade, tipicamente antes dos três anos, que tem como características principais dificuldades de comunicação, na interação social e no uso da imaginação.
                Vale ressaltar que não existe uma causa específica, mas existem estudos que dizem que o autismo tem origem em anormalidades genéticas em alguma parte do cérebro. O diagnóstico para autismo só pode ser feito através de uma avaliação de um neuropsiquiatria ou de áreas afins.
                O autismo tem algumas classificações que também servem para o diagnóstico e tratamento correto de cada caso, tais como: Autismo Clássico, Síndrome de Asperger, Autismo Atípico, Autismo de Alto Nível Funcional, Perturbação Semântica-Pragmática e a Perturbação do Espectro do Autismo (ASD).
                Apesar das pessoas com autismo terem uma certa dificuldade em interação social e comunicação, o espectro não impede que eles tenham uma vida como qualquer outra pessoa, entre os desenvolvimentos mais comuns estão a aprendizagem de línguas, raciocínio lógico e leitura de forma autônoma.
                O tratamento para o Autismo envolve várias áreas, pois é preciso fazer de forma global onde todos os envolvidos participem e interajam. O tratamento deve conter apoio educacional e familiar, desenvolvimento da linguagem e comunicação, fisioterapia entre outros métodos, pois cada caso possui sua especificidade.
                Os avanços de estudos na área do autismo e outras deficiências, cada vez mais temos métodos de inclusão social, o que possibilita a crianças com autismo desenvolverem suas potencialidades e terem uma vida social como qualquer outra pessoa.

COLUNA SEMANAL NA EDIÇÃO DIGITAL DO JORNAL INTEGRAÇÃO N° 19 TERÇA-FEIRA 03 DE ABRIL DE 2018


terça-feira, 20 de março de 2018

DIA INTERNACIONAL DA SÍNDROME DE DOWN




              No dia 21 de março celebra-se o Dia Internacional da síndrome de Down. Essa síndrome é causada pela presença de três cromossomos 21 em todas ou na maior parte das células do indivíduo, também conhecida como trissomia, é importante ressaltar que a síndrome de Down não é uma doença, portanto, não é contagiosa ou transmitida. As pessoas com Down, ou trissomia do cromossomo 21, têm 47 cromossomos em suas células ao invés de 46, como a maior parte da população.
                Segundo o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, estima-se que existam cerca de 300 mil pessoas com síndrome de Down no Brasil. Crianças, jovens e adultos com Síndrome de Down podem ter algumas características semelhantes e estarem sujeitas a uma maior incidência de doenças, mas apresentam personalidades e características diferentes.
                Vale explicar que a síndrome de Down não contém um fator que pode causa-la, ou seja, não é culpa dos pais e nem poderia ser feito algo para evita-la. As pessoas com síndrome de Down podem e devem ter uma vida comum como qualquer outra pessoa, o mais importante é descobrir a forma correta para alcançar um bom desenvolvimento de suas capacidades dando a eles independência e autonomia para a realização de suas tarefas, desta forma uma pessoa com síndrome de Down, pode e deve ter uma vida autônoma como qualquer outra pessoa, isso inclui ir a escola como qualquer outra criança, namorar, trabalhar e se divertir.
                Entre as características de uma pessoa com síndrome de Down estão os olhos amendoados, maior facilidade para desenvolvimento de algumas doenças, problemas de visãoe deficiência intelectual. Outras características marcantes são o tamanho, geralmente, elas são menores e seu desenvolvimento físico e mental são mais lentos que crianças da mesma idade.
                Desta forma, para falar sobre uma pessoa com síndrome de Down, vale o mesmo conselho dado para qualquer outra deficiência, pois primeiramente, eles devem ser vistos como pessoas que são capazes de realizar qualquer atividade, merecem respeito e oportunidades nas áreas que desejarem e o mais importante devem ser respeitadas e estimuladas dentro de suas características e que isso sirva para que haja a inclusão de fato.
                Que este dia 21 de março seja um dia de comemoração pelas conquistas alcançadas, mas que também seja um dia de reflexão e conhecimento sobre a causa da síndrome de Down.

COLUNA SEMANAL NA EDIÇÃO DIGITAL DO JORNAL INTEGRAÇÃO N° 18 TERÇA-FEIRA 20 DE MARÇO DE 2018

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terça-feira, 13 de março de 2018

NA DÚVIDA, PERGUNTE



               Uma das principais questões na vida de uma pessoa com deficiência é a o olhar alheio sobre sua deficiência. Muitos olham com olhos de admiração, outros com pena ou até medo, talvez, por isso, seja tão importante a questão da nomenclatura, afinal ela é a base do combate ao preconceito contra a pessoa com deficiência.
                Mas, o assunto desta coluna não é propriamente a questão da nomenclatura, e sim algo mais simples, porém, às vezes bem mais difícil do que saber a forma certa de se dirigir a uma pessoa com deficiência.
                Um dos desafios que enfrentamos é romper a barreira do medo das pessoas em perguntar para nós o motivo da deficiência, e isso por vezes contribui não só para alimentar o preconceito como também para impedir que se comece ali uma relação seja ela de amizade ou até mesmo profissional.
                Meu conselho nesse caso é bem simples: Na dúvida, pergunte! Afinal é assim que a gente pode tirar qualquer dúvida a respeito de qualquer assunto. Por isso, ao encontrar uma pessoa com deficiência e quiser saber por qual motivo ela tem uma deficiência, pergunte, mas obviamente seja educado e respeite o espaço do outro.
                Eu, particularmente, nunca me incomodei em explicar o motivo da minha deficiência, já perdi as contas de quantas vezes expliquei para as pessoas a razão da minha mobilidade reduzida, das minhas oito cirurgias e da longa recuperação que tive até chegar ao ponto em que estou hoje. Mas, assim como eu falo sem problema algum, existem pessoas que não gostam ou até tem dificuldade em falar sobre o assunto.
                O que percebo muito também é, que as pessoas tem vontade de perguntar, mas tem um certo receio, um medo ou uma insegurança, para isso vale a dica de perguntar, claro desde que a pessoa queira falar e se sinta a vontade para comentar sobre sua deficiência e como isso afeta sua vida.
                Sempre que passo por essa situação, tento explicar da forma mais didática possível, que sofri uma ameaça de paralisia cerebral que deixou uma sequela na minha perna direita, por isso, ao longo dos anos passei por oito cirurgias para corrigir os movimentos dela. Da mesma forma que conto gosto de saber das pessoas, o motivo de suas deficiências e com isso acabo virando amigo e tudo mais.
                Mas, você deve estar se perguntando onde isso pode combater o preconceito? Pois, bem, cada vez que nos propomos a entender algo estamos mais dispostos a não criar um pré-conceito sobre aquilo, ou seja, estamos mais próximos de compreender e aceitar as diferenças do outro sejam elas quais forem.
                Justamente, por isso, sou defensor do “Na dúvida, pergunte” afinal conversar ainda é a melhor forma de resolver a maioria das coisas.

COLUNA SEMANAL NA EDIÇÃO DIGITAL DO JORNAL INTEGRAÇÃO N° 17 TERÇA-FEIRA 13 DE MARÇO DE 2018