Futebol é sentimento. Talvez essa seja uma grande obviedade, mas afinal Argentina e França ratificaram o sentir. Não preciso, e nem vale a pena, ficar falando da técnica francesa ou da raça argentina.
Mas preciso falar daquilo que se sente. Sim, essa foi a final do sentir. Seja a última força, a última esperança, a última raiva.
De fato, tanto Argentina quanto França provaram sentimentos diferentes durante essa Copa. Os franceses sentiram a ausência de inúmeros desfalques, da possível incerteza, das dificuldades pelo caminho.
Já a Argentina sentiu a pressão de não vencer a tanto tempo, se Deus Maradona os abençoaria e se o semi-deus Messi chegaria ao Olímpio argentino carregando o mundo nos braços.
Messi sentiu a Argentina, viveu a Argentina, cantou a Argentina.
Messi foi batizado pela alma celeste, definitivamente.
Se em algum momento o fogo raro queimou, foi hoje. Cada gol era uma alegria, uma esperança, um peso a menos.
Jogo a jogo Messi e seus pares foram vencendo as desconfianças, as confianças em excesso, as dúvidas da estrada.
Messi precisou de pequenos detalhes, seja o passe perfeito, o chute despretensioso, o segundo exato.
Messi viveu a Argentina, a Argentina viveu Messi.
Maradona finalmente descansou por saber que seu trono está seguro, salvo, imortalizado.
Se Atlas sentia o peso do mudo nos ombros. Messi pegou o mundo nas mãos e carregou com leveza, como carrega seus filhos.
A última dança do gênio foi um tango, brilhante, perfeitamente ensaiando e com o drama que tanto marca o ritmo argentino.
Se o futebol não permite facilidades, a Argentina foi moldada nas dificuldades.
Ah, o jogo foi incrível, inesquecível, talvez a maior de todas as finais.
Mas eu não consigo esquecer Messi sorrindo como a criança que ganha a tão sonhada bola, no caso essa bola é dourada, e tem o peso do mundo.
Aquilo que se sente define a vitória. E ninguém sentiu mais que Messi nesta copa.
Texto publicado após a final da Copa de 2022.
Siga no Instagram | Compre meu livro
Nenhum comentário:
Postar um comentário