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segunda-feira, 4 de maio de 2020

CAPITÃO DA INDÚSTRIA

Foto: Internet/Divulgação


Ele sentia-se mal sem saber a razão. Já havia procurado tantos médicos, mas sua doença era um mistério, um grande mistério, poderia ser uma depressão, ou algo parecido, mas com agravantes.
            Sentia-se mal, indisposto, infeliz a solidão de anos começava a incomodar, nesses momentos lembrava até da mulher que abandonou há anos. Abandono este causado pelo trabalho, que durante mais de cinquenta anos fez parte da sua vida e que só o deixou porque foi obrigado.
            Durante essas cinco décadas nunca teve tempo livre, nunca pensou em outra coisa a não ser no trabalho, ele dormia para trabalhar, ele comia para trabalhar, ele corria para trabalhar, só enxergava números, estatísticas, prazos, valores, lucros, débitos, ativo, passivo....
            Lutou ao máximo para não se aposentar, ainda sentia-se útil, jovem e tinha mais experiência de qualquer outro que pudesse vir a substituí-lo, mas obrigado pelo dono da empresa assinou os documentos. Enfim, veio a aposentadoria, junto veio o tédio e a sensação de inutilidade ao perceber que não tinha nada para fazer, pois só sabia trabalhar.
            Sentindo-se assim logo apareceu a tal doença, no primeiro mês não deu muita importância, pensando que logo aquelas sensações ruins passariam, mas passou o mês e tudo continuava igual, ou pior. A sensação de inutilidade, mal-estar, cansaço tristeza, fadiga. Resolveu procurar um médico.
            Chegando ao consultório contou o que estava acontecendo ao doutor que lhe deu um relaxante muscular, explicando que após tantos anos de trabalho seu metabolismo estava estranhando a falta da rotina agitada que tinha antes de se aposentar. Passado um mês ele deveria retornar, quando retornou estava ainda pior, além do cansaço físico era notável o abatimento psicológico, olheiras, desânimo, estava mergulhado em uma tristeza absoluta, o médico ao ver seu estado acrescentou lhe mais um medicamento um antidepressivo, passado mais um tempo ele retornou ao consultório e nada de melhorar, fez inúmeros exames que nada mostravam, mas seu estado físico e psicológico só piorava.
            O médico ao vê-lo e analisar seus exames que nada mostravam ficou intrigado, paralisado na dúvida, pois em todos aqueles anos de profissão jamais havia tratado um caso tão intrigante, ele começava a entender a suposta gravidade de sua doença ao olhar para o médico e ver que ele estava perplexo. Então perguntou a ele: - doutor o que eu tenho? É grave? O médico olhou em seus olhos respirou fundo e disse: - Não sei. Mas continuou: - eu teria duas opções de tratamento para o senhor, interná-lo ou mandá-lo retornar ao trabalho, como acho que a primeira opção será tão inútil quanto foram os tratamentos até agora, peço que o senhor volte a trabalhar.
Ao ouvir aquela noticia, ele parecia renascer, toda a angústia, tristeza, solidão, dores, pensamentos negativos, abatimento psicológico sumiu, sentia o bom e velho capitão da indústria de sempre renascendo das cinzas da aposentadoria. Saiu do consultório direto procurar um emprego, o tempo passou, foi ocupado pelo novo emprego, mas dois meses depois ele retornou.
Aparentemente ele estava bem, feliz, com brilho nos olhos, cheio de planos, mas o doutor ao ler seu nome no prontuário e chamá-lo para a consulta ficou receoso, pois mandá-lo trabalhar era sua estratégia para tentar encontrar uma cura ou um alívio para aquela estranha doença. Ele entrou e sentou, nem esperou e médico começar a falar e disse: - Obrigado por me curar doutor!

PUBLICADO NO JORNAL A FOLHA
DE NOVA HARTZ SEMANAL ANO VIII
EDIÇÃO N° 299 SEXTA-FEIRA 03 DE MAIO DE 2013

domingo, 25 de outubro de 2015

A MESA E A INTERNET

Portinari

Antonio Silva

Há alguns dias atrás, por instantes, me reencontrei com minha infância, vi uma mesa de futebol de botão. Eu nunca tive uma daquelas, nem sequer joguei futebol de botão na minha infância. Mas lembro com carinho e certa saudade de quando eu e mais dois amigos resolvemos montar uma mesa, reunimos papelão e tintas para confecciona-la e nossas economias seriam usadas para comprar os botões. A ideia acabou por não dar certo e esquecemos-nos do assunto.
            Recordei tudo isso ao ver uma mesa em processo de abandono em alguma residência por ai, digo processo, pois ela estava jogada ao relento no fundo da casa, e também porque naquele momento estava sendo instalada na casa uma antena para o sinal da internet.
            Ali tive certeza absoluta que a mesa sairia de campo, que o futebol de botão ficaria para trás, que seria substituído por alguma das maravilhas tecnológicas atuais que contribuem diretamente para o isolamento e o empobrecimento intelectual.
            A mesa seguia ao relento, indiferente ao tempo, ao sol que a castigava, parecia prever o fim próximo, parecia não se importar com mais nada. Sabia que o abandono era certo, que dali em diante sua melhor companhia seria a chuva e o vento.
            Não sei se seu dono ou dona sentiriam saudades, não sei se sentiriam a ausência dos amigos em partidas disputadas, cheias de rivalidade, dos outros amigos ao redor apreensivos na torcida.
            Mas pensando bem o que é uma mesa de madeira, se será substituído por uma máquina potente, maravilhosa, de infinitas possiblidades, que ocupará todo seu tempo, toda a sua vida dali por diante. Uma máquina na qual faltam mãos para mexer tantos botões.
            Aliás, quem sentiria falta de uma mesa que na realidade, quase não servia para nada a não ser trancar canto no quarto. Se livrando da mesa, abre mais espaço, é uma quinquilharia a menos no quarto.
            Já o computador/tablet/notebook, não ocupa espaço, mas sim agrega valor, imagine aquela casa nunca mais será a mesma depois da internet. A partir de agora não haverá mais aquele diálogo cheio de felicidade, não haverá mais entusiasmo na voz, nem nos ouvidos daquelas pessoas, para contar ou ouvir aquelas histórias do futebol de botão. Não haverá mais o gol inesquecível, não haverá mais a virada histórica, não haverá mais interação.
            A partir de agora, cada um ficará em seu mundo particular, preocupado com seu grupo no WhatsApp, com o que as pessoas vão dizer sobre a foto no facebook, o que fazer para ganhar mais e mais seguidores.
            Aquela mesa jogada aos fundos da casa representa muito mais do que o fim do futebol de botão, representa a ruptura de um laço familiar.



PUBLICADO NO JORNAL
FOLHA DE NOVA HARTZ
SEMANAL ANO XI EDIÇÃO N° 386
SEXTA-FEIRA 23 DE OUTUBRO DE 2015

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

COMO GUARDAMOS NOSSOS TESOUROS

Giorgio de Chirico


Antonio Silva

            Como guardamos nossos tesouros? É uma boa pergunta, porém, vai depender do tesouro que tiveres para guardar. Se você tem dinheiro pode muito bem deixa-lo no banco, se você tem um carro basta fazer um seguro, e se você tem uma casa também tem a opção do seguro e uma forma mais prática, cercá-la de grades bem altas, fechaduras nas portas e janelas, câmeras de segurança ou cerca elétrica.
            Mas e seu maior tesouro não for um bem material, não for suas economias, seu carro, sua casa. E se o seu tesouro for apenas algo que você tem que zelar, transmitir valores cuidar para que o futuro não seja apenas um tempo próximo.
            Pois bem, eu estava no ônibus numa importante e movimentada estrada, em meio aos mais diversos tipos de carros ai vamos do velho e bom fusquinha a imponente e potente BMW. Quando passou pelos meus olhos a cena que me questionou “Como guardamos nossos segredos.”
            Caminhava pelo acostamento um homem de camisa, calção, chinelo e boné. A camisa era do Grêmio, de um tempo distinto, quando o clube comemorava façanhas, era velha surrada, tanto quanto o restante de sua roupa. Ele empurrava um carrinho no qual colocava todo o tipo de material reciclado que pudesse vender, que pudesse tirar um dinheiro qualquer para seu sustento.
            Aquele homem guiava aquele carrinho com cuidado, e sua expressão era de felicidade, era uma felicidade mais radiante até mesmo do que a felicidade de um torcedor que tinha visto seu time conquistar uma vitória importante. Era uma felicidade cuidadora, orgulhosa. Naquele olhar de atenção era possível perceber a sua realização pessoal, era possível perceber a nítida alegria de alguém que carregava ali o bem mais precioso de sua vida.
            Mesmo entre o intenso movimento de carros, era possível perceber a total atenção dele dentro daquele carrinho que até então só servia para carregar o que consideramos lixo.
            Dentro do carrinho havia uma criança, que deveria ter no máximo dois ou três anos. Aquela criança deveria ser seu filho, o qual ele carregava com toda atenção e carinho dentro de suas condições.
            A criança assim como o homem parecia estar feliz, apoiada no carrinho estava em pé, se divertindo com o movimento, com o barulho ao seu redor. Tudo era engraçado, desde o fusquinha até a BMW, nada tinha valor material. Tudo era uma questão de valor afetivo, alegria, diversão, liberdade. Para aquela criança, não importava se em outros momentos o mesmo carrinho que ela andava carregava lixo. Para ela importava a felicidade de experimentar, o que nós chamamos de liberdade, mas com um adicional a inocência. Quando se é inocente, tudo se torna mais fácil.
Na inocência somos sinceros, não tememos as palavras.
Na inocência somos felizes, os gestos ocorrem com naturalidade.
Na inocência amamos com toda a intensidade.
Na inocência somos intensidade pura, pois não há medo, não há repressão, não há regra.
Na inocência somos felizes sem conhecer o peso da palavra.
Aquela criança dentro de um carrinho de “lixo” era o maior tesouro de quem o transportava. Fazia com zelo, com atenção, com dedicação. Para aquela criança quem o transportava era seu maior tesouro por em um gesto simples fazer com que ele experimenta-se tantas sensações que serão fundamentais em seu desenvolvimento.
            Somos o maior tesouro de quem nos ama, e por vezes não percebemos que teríamos que fazer de quem nos ama nosso maior tesouro. Às vezes nos deixamos endurecer pela rotina, pelo excesso de afazeres, pelo pouco tempo de convivência. E esquecemos que o nosso maior tesouro está ao nosso lado dentro de nossa casa.

            Então como guardamos nossos tesouros?

domingo, 9 de agosto de 2015

UMA RUA DE HISTÓRIAS

Imagem: Google
 

Bruna Beatris Berghan

    Existem coisas em nosso cotidiano que por vezes nos passam despercebidas. Coisas que simplesmente passam por nossos olhos sem ao menos chamar atenção. Sem se tornar alvo de nosso olhar.
    Uma coisa me chamou atenção esses dias, e desconfio que poucas pessoas repararam naquela cena. Uma rua repleta de histórias e muito movimentada. Lá todo mundo repara quando quem chega é visitante. Prédios na rua toda. Alguns antigos, outros implorando uma reforma.
    Em uma rua tão cheia de histórias, tão repleta de contos. Lugar onde tudo acontece. Onde cada dia brotam do asfalto quente, histórias novas para contar.
    Em meio a violência, o tráfico e a prostituição, observei uma criança. Um pequeno ser humano que vive naquelas condições. Ele poderia muito bem ser uma criança triste, e seguir o caminho que a rua impõe. Mas ele era diferente dos demais. Ele não queria ser assim.
    Era um menino, de aproximadamente oito anos, que fazia o que toda criança dessa idade deveria fazer. Ele brincava. Exatamente, ele brincava com seu carrinho no meio fio. Em meio ao lixo, ele dava o seu brilho de inocência na calçada.
    Naquela calçada, em um pequeno pedaço dela, se coloria com o sorriso, com as gargalhadas e os sons que o menino fazia, imitando um carro.
    Em meio a rua sombria, as cores dos olhos alegres de uma criança pura. Em meio a mundo violento, um sorriso de alegria.
    Me perguntei porque só ele, por que não havia mais crianças brincando na rua, correndo, e pulando. Talvez por medo de ficar por ali ou por já estarem seguindo o destino que a rua deu-lhes. Ou, até mesmo, por não haverem mais nenhuma criança.
    Refleti em todas as possibilidades, até me deparar com aquelas que deixaram que uma simples rua definisse sua vida. Crianças que se tornaram adultos, ficaram com aparência cansada, se tornaram o que nenhuma criança deveria se tornar. Faziam o que não deveriam fazer. Se tornaram escravos do tráfico, da violência e da prostituição. Ganham a vida assim.
    Mas aquele menino não. Ele não é menino de rua. Vive em um orfanato da rua ao lado. Passa as tardes brincando na rua de histórias. E quando perguntado do porque não brinca no orfanato, onde é seguro, ele simplesmente responde: “Essa é a minha missão, colocar uma gota de esperança e alegria em um oceano de lágrimas”.
 

IRMÃOS PELO CORAÇÃO

Imagem: Google
 
Bruna Beatris Berghan

Essa semana, na segunda feira, dia 20 de julho, se comemorou o dia do amigo. Uma data onde as redes sociais e todas as formas de comunicação, se encheram de mensagens aos amigos, mensagens belas a todos que nos representam amigos. Postagens aumentavam ao longo do dia, um simples feliz dia do amigo nos fazia sorrir.
    Em um dia como esse pensamos em quem são nossos amigos, em quem está do nosso lado em todos os momentos. Os amigos são todos aqueles que fazem parte do nosso convívio não apenas como um mero figurante, mas sim como alguém que muda nossa vida. Pessoas que nos querem ver pra baixo e pisam em nossas cabeças, obviamente não são amigas.
    Quando estamos no colégio, sonhamos que quando formos mais velhos, vamos ter um apartamento, no mesmo prédio que nossos amigos. Vai ser tipo uma série de TV. Onde vamos trocar experiências, fazer descobertas e fazer festa até altas horas.
    Quando crescemos, vemos que esse mundo fica na TV. Morar em um apartamento com amigos não é tão fácil quanto parece. Tudo tem um custo, e bem alto. Tem o condomínio, a conta de luz, de água, telefone, comida. Tem que arrumar um emprego e ir pra faculdade a noite. Chegar em casa exausta e ficar horas nos trabalhos. As festas e as noitadas se divertindo se tornam noites sem dormir em cima de trabalhos.
    Do dia do amigo, passei a uma vida com amigos diferente dos filmes e séries. A ideia de morar com nossos amigos, pode ficar apenas na ideia de quem sonhou. Mas o amigo continua lá.
    Os amigos são anjos que aparecem em nossas vidas. Às vezes vão embora, e deixamos de falar com eles. Vai ver era pra ser assim. Tudo tem um modo que deve acontecer, um caminho a seguir. Amigos eternos existem sim, e vão sempre existir. Amigos com um laço tão forte, que nem mesmo a ciência pode explicar.
    Os amigos que vão, deixam lembranças, histórias e saudades. Os amigos que ficam compartilham novas histórias e as relembram com boas risadas. Acabam virando padrinhos e madrinhas de casamento e de filhos. Tornam-se compadres.
    Seja qualquer um dos amigos, qualquer tipo de amigo, eles sempre serão nossos irmãos, nossos irmãos pelo coração.

SEMANA DE TRÊS DIAS

Imagem: Google
 
Bruna Beatris Berghan

    A cada virada de ano, é dado ao mundo mais 365 ou 366 dias. É concedido doze meses para que os seres vivos que nele habitam, possam fazer suas escolhas e traçar seus caminhos. Cada dia que passa, e não é valorizado, é um dia perdido, um dia em que apenas passou.
    Deixar o dia passar e não viver é jogar ele no lixo. E podem ter certeza, muita gente faz isso. É só reparar nas redes sociais na sextas e nos domingos a noite. Muita gente carrega suas redes sociais dizendo: “Até que enfim sexta”, e nos domingos: “Que droga, amanhã já é segunda”. Essas pessoas se esquecem de que temos sete dias por semana, e pensam que a vida deveria ser apenas sexta, sábado e domingo.
    Antigamente, os casais apaixonados enxergavam na sexta o dia de ficar juntos. Esperavam a semana inteira para a sexta. E hoje, coincidentemente continua assim. Os amigos aguardam por aquela balada do fim de semana, onde vão gastar o dinheiro que foi adquirido, por eles, ou pelos pais, nos outros dias.
    O dinheiro usado para a diversão e lazer dos finais de semana, é adquirido no trabalho. Durante a semana, a vida não é só trabalho. É possível aproveitar os momentos em casa, na faculdade ou seja onde for, para não deixar passar em branco.
    A sexta virou o dia esperado, onde só ela é boa e o resto é complicado. Só nela podem haver sorrisos, e festas. Na segunda, nem pensar dar um sorriso ou comemorar algo novo. Na segunda só podem haver cabeça baixa pelo final de semana que passou.
    É como dizia meu avô, é necessário passar pela segunda, para se chegar na sexta. Pode parecer complicado, e às vezes, você pode até estar meio cansado, mais é necessário.
    Fazer coisas que o deixem animado pode deixar sua semana mais divertida. Aproveitar suas noites, com coisas que pareçam simples, mas que no fundo te deixam motivado para seguir pelos dias.
    Todos os dias são importantes. Sempre haverão obstáculos, degraus para uma subida. Não deixe de viver as segundas, as terças, as quartas e as quintas. Não viva somente sextas, sábados e domingos. A vida é curta demais para termos apenas três dias por semana.

 

PARA ONDE VAMOS?

Umberto Boccioni

Antonio Silva

            Todos os silêncios juntos faziam barulho demais, era preciso gritar para vencê-los. Mas sem liberdade os gritos são apenas murmúrios e de nada adiantam.
            Foi assim que ele decidiu largar tudo, esquecer as leis, as regras, o próprio caminho. Decidiu derrubar os dogmas e preconceitos. Correu mais rápido que o pensamento, suou muito de alegria.
            Desistiu de se adequar, desistiu de ser certinho, de tomar decisões coerentes, desistiu de girar sempre no mesmo vento.
            Decidiu viver, esquecer as dores, a solidão da dúvida, resolveu correr para o nada sem pressa de chegar. Ele decidiu tomar decisões e isso mudou sua vida para sempre.
            Ele passou a observar a beleza das pequenas coisas, a beleza das coisas se movendo, do tempo sendo o herói ao vencer pela sabedoria.
            Talvez todos os conselhos, fossem armadilhas do sistema que precisava de sua obediência para manter tudo em ordem.
            Talvez ser diferente doesse demais, ser diferente era ser crucificado na retina alheia. Mas a dor bem dosada é estimulante.
            Quando chegar ao ponto máximo, nada disso mais vai importar, quando vencer a guerra dos sonhos, quando for mais longe que o pensamento, quando entender que o tempo é apenas o menor de todos os momentos.
            Quando partir vai sentir saudade, o rompimento dos laços, a segurança serão os momentos felizes, a certeza é que a estrada é longa. Sabe que não poderá voltar, o passado é casa dos fracos, a morada do medo, a cobrança será cara demais.
            Se esquecer tudo poderá renascer, vai ao longe, o sol é seu guia a noite sua pousada. Quando percebermos que a metamorfose vem de cima, veremos que nada é permanente e que qualquer sorriso é vago se não houver amor.
            Vamos pensar diferente sair da caverna do conforto, vencer o medo de ser quem somos, vamos dar sentido a cada palavra.
            Tentei falar, mas você não entendeu. Mas estarei aqui sempre na calçada contando pedras a espera de você.

PUBLICADO NO JORNAL
FOLHA DE NOVA HARTZ
SEMANAL ANO X EDIÇÃO N° 379
SEXTA-FEIRA 24 DE JULHO DE  2015

sexta-feira, 3 de julho de 2015

UMA VISÃO DE REFLEXÃO

Imagem: Google


Bruna Beatris Berghan

Música realmente é tudo de bom. Nos anima, nos deixa mais pra cima, mais alegre, de bem com a vida. Nos esquecemos dos problemas e sorrimos um pouco mais.
Sinceramente, gosto muito de música, ou melhor, gosto de letras de música. Gosto daquelas que tocam na alma e nos fazem refletir.
Prefiro a música Toda Forma de Amor do Lulu Santos, do que Vale Tudo do Tim Maia. Não por uma questão de estilo ou gosto musical, mas por uma questão de letra. Não estou criticando o falecido cantor Tim Maia e sua música, só estou expressando uma análise entre as letras.
Na música Toda Forma de Amor, Lulu Santos expressa, em sua letra, todas as formas de amor. Exatamente, amor entre homem e mulher, homem e homem e mulher com mulher. Todos são justos. “Consideramos justas toda forma de amor.”
O amor em si é bonito e todos eles são amor. Todos devem ser respeitados por serem o que são. Um casal que se ama e quer passar o resto da vida juntos.
Agora, na música do Tim Maia, Vale Tudo, não quer dizer o que o nome diz. Não vale tudo, pois em um trecho dela o cantor afirma: “Só não vale dançar homem com homem nem mulher com mulher. O resto vale.” Então não vale tudo. Porque as pessoas não podem dançar com quem quiserem.
Isso acontece no mundo musical. Ah, e como seria bom se ficasse só nas músicas. Pena que isso está na nossa vida. Onde pessoas sem escrúpulo ou respeito, ofendem, chamam de nomes de baixo calão, e, por vezes, batem e matam os homossexuais. A crueldade não tem limite.
A ofensa dessas pessoas pega pesado e peca pesado. Usam o nome de Deus em vão. Dizem que Deus é contra, que ela vai punir e castigar. Primeiramente, eles não são Deus pra dizer isso e segundo, quero lembrar das fotos coloridas do Facebook, que foram alvo de críticas.
Muita gente se indignou que estavam querendo mudar algo sem muita relevância. E que a fome e a miséria tinham sido esquecidas. Pois bem, pra mim não foi, só que eu não preciso postar foto toda vez que ajudo alguém. Quem precisa ver está vendo lá de cima, e nem precisa eu postar. Pois Deus vê tudo.
No Facebook, na foto do perfl era adicionada um filtro com as cores do arco íris. O arco íris é um fenômeno de Deus? Sim. É um elo de amor que Deus tem conosco? Sim. Nós todos estamos nesse elo? Sim. Esse elo de amor é como uma aliança de casamento, um elo infinito com nós aqui na terra? Sim.
Então, se ele é um elo de amor que todos estão incluídos com Deus. E todos significa todos os seres vivos do planeta. Porque então todos não podem ter seus direitos, de usar esse símbolo de amor, essa ligação e ter um casamento abençoado, sem estar destinado as críticas da sociedade? Sinceramente desconheço essa resposta, mas fica uma reflexão.
Se você quer ter suas escolhas respeitadas, respeite.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

QUANDO O SILÊNCIO É TUDO O QUE PRECISAMOS

Edwin Landseer

Antonio Silva
Há dias em que não estamos de bem com a vida, que as palavras de conforto não confortam, mas sim incomodam. Nesses dias pratico o silêncio, falo o mínimo possível. Me mantenho inexpressivo para não acusar a dor, mantenho-me distante para não compartilhar a tristeza, mantenho-me longe para não descarregar em ninguém.
Naquele dia não passei do habitual bom dia, seco e sem expressão. Deixei o sorriso na cama fazendo companhia para meus pesadelos. Deixei a esperança no espelho ao fugir o olhar. Naquele dia, não queria o contato com ninguém, queria me reencontrar e me confortar.
Fazia tudo no automático, fazia tudo como tinha que fazer. A repetição nos salva em dias ruins. Os dias ruins demoram mais para passar, os dias ruins nos torturam todas as horas, os dias ruins apedrejam os nossos sonhos.
Esses dias ruins me perseguem e por vezes já me perdi em sua escuridão, sofro por antecipação, sofro por expectativa, sofro por imaginação, só não sofro pela minha própria capacidade. Sempre que sofro me reavalio, me reinvento para esquecer.
Aquele dia era para ser igual a todos, eu deveria seguir meu manual do silêncio e tentar fazer o tempo passar, mas tudo foi diferente. Eu estava chegando ao trabalho e na porta havia um cão preto, estava parado como se esperasse alguém, como se sua fidelidade canina dependesse daquele encontro.
Admiro a fidelidade desses animais, admiro a capacidade de perdão que esses seres possuem, admiro a persistência deles. Eu nunca tinha visto ele antes, nunca tínhamos nos esbarrado pela rua, ou trocado um olhar sequer.
Mas ele ao ver-me, levantou e me olhava com brilho nos olhos, como se de nosso encontro dependesse a sua felicidade, como se nosso encontro fosse o tornar um cão realizado, o nosso encontro parecia ser o seu objetivo mais importante naquele dia.
Eu parei e fiquei a observá-lo, ele me olhava com um olhar tão doce, tão esperançoso que fiquei imóvel por alguns momentos, ele seguia me olhando e balançou a calda como se me chamasse ao seu encontro. Vendo aquilo sorri e segui meu caminho.
Sem uma palavra sequer aquele cão tornou meu dia melhor.


domingo, 28 de junho de 2015

A ARTE DE FAZER ARTE

Imagem: Google

           A arte está em todos os lugares. Para onde olhamos, ela está lá. De tantas formas, de tantos jeitos, sons e imagens, que transmitem sentimentos. A arte é linda, perfeita. Ser artista então, melhor ainda, ter o dom de exalar arte é mais do que fantástico.
            Nas ruas a arte está nos muros com grafites. Grafites e não pichações. Grafites são aqueles desenhos, trabalhados em spray, que colore a cidade, deixando um visual mais alegre. Além deles, as placas e outdoors são verdadeiras artes. As artes gráficas. Que também se encontra em jornais, revistas e, principalmente, internet, de diversas formas.
            O jornal tem muita arte, além da gráfica, a escrita. O saber escrever é sem dúvida, uma arte, desde a página de entretenimento à policial, tem arte.
            Toda forma de se expressar é uma arte, em conversas particulares ou em públicos maiores a arte está presente nas leituras e nos discursos.
            Os livros também são artes. Aqueles que nos levam para uma viagem. Vemos o lugar como o que está descrito. Viramos personagem, entramos na história de uma maneira que fica difícil de sair, nos prendemos e nos apaixonamos pelo conto. Às vezes até por um personagem. Quem consegue escrever dessa forma é um verdadeiro artista, sem dúvida.
            Se a arte está em tudo que vemos, ouvimos ou falamos, então, somos artistas? Sim, somos artistas do nosso modo. Artista não só desenhar, nem só pintar. Artista escreve, lê, discursa, inventa histórias para o filho e se diverte com as próprias piadas.
            Ter o dom, todos tem, e o melhor, todos são diferente. Podemos conhecer tanta gente com histórias diferente e aprender com elas. Isso é o melhor, isso é a vida.
            A arte, por vezes, pode sair da pessoa, se essa não tiver dentro de seu coração um sentimento, um jeito, uma personalidade. Que deve manter para sempre, e nunca deixar que isso vá embora. É isso que nos mantêm vivos, nos mantêm com saúde e deixa o mundo mais belo.
            Não deixe ir embora o espírito de criança que existe dentro de você, dentro do seu coração. Por mais que às vezes pareça difícil acreditar que ele está ali. Crie coragem e busque ele para acompanhá-lo no seu dia a dia. 




sexta-feira, 15 de maio de 2015

AMOR EM SILÊNCIO



           
Néstor Sarmento
            
             


              O amor é maravilhoso principalmente quando se pode estar com a pessoa amada. São tantas as demonstrações de carinho, de afeto de paixão. Quando estamos juntos da pessoa amada, nosso cérebro ativa a região responsável pelo amor. Passamos a ser mais ativos, passamos a ser mais criativos. Quando amamos precisamos estar juntos, criamos rotinas de aproximação, criamos compromissos, eventos, festas, tudo para estar com quem amamos. Amar também é lotar a agenda do coração.
            Mas e quando esse amor é imoral, impossível, quando esse amor padece em desencontros e morre de expectativa?
            Eles se conheceram por acaso, mas já se gostaram no primeiro toque dos olhos, no primeiro sorriso, na primeira conversa. Ele parecia encantado com ela, logo pensou que aquela era a mulher que gostaria de dividir sua vida. Até descobrir que ela namorava. A tristeza tomou conta de sua vida, pois quando encontrou a mulher de seus sonhos descobriu que ela não sairia de seus sonhos.
            Mas ele sabia que ela havia correspondido ao seu olhar, e isso era sinal de que poderiam quem sabe no futuro viver aquela sensação do primeiro encontro. Mesmo consolado pelos planos futuros sentia-se furioso consigo mesmo, chegava a odiar as lembranças daquele dia, era agressivo com seus pensamentos, ficava aflito cada vez que a encontrava. A esperança de tê-la consigo era cada vez menor.
            Então precisava esquecê-la, precisava fazer alguma coisa para superar aquele estado de tensão que vivia. Numa noite ao sair com amigos, reencontrou uma colega da faculdade e entre conversas acabaram se reaproximando de uma maneira incrível, em pouco tempo, já estavam juntos.
            Ele estava amando, parecia ter esquecido ela, até descobrir que quem estava solteira agora era ela. Havia terminado o namoro. Quando descobriu isso, aquela aflição voltou, aquele desejo de revê-la, de estar com ela voltou.
            Mas quando se encontraram de novo percebeu que ela havia mudado, percebeu que não era mais sorridente, que evitava estar próxima dele e que não tinha mais aquele brilho no olhar. Eram os mesmos sintomas que ele sentiu quando ela estava namorando.
            Naquele momento ele teve certeza que ela também o amava, que ela estava sofrendo por ele, assim como ele sofreu por ela.
No mesmo momento em que descobriu o amor dela, pensou na namorada, aquela que o salvou do abismo, que o acompanhava em todos os momentos, aquela com a qual fazia planos de vida.
            E percebeu-se numa situação sem saída, continuar com quem ele estava e fazê-la sofrer tudo o que ele sofreu ou largar tudo e tentar conquistar ela e serem felizes juntos?
            Pensou muito, sofreu em silêncio, mas resolveu continuar, não podia abandonar quem o salvou, não podia abandonar quem estava sempre ao seu lado, não podia retornar ao passado.
            A vida seguiu e eles seguem se encontrando por aí, são apenas cumprimentos, com sorrisos discretos e sem brilho no olhar, não conversam, se têm assuntos fingem segredo.
            Se amam em silêncio para preservar a beleza do sentimento, se amam em silêncio para não ferir as palavras, se amam em silêncio porque não há como recuperar o passado.
            O silêncio preserva a beleza do sentimento, preserva a certeza que um dia amaram intensamente alguém a ponto de se afastar não ferir o outro.
            Trocam caricias pelos olhos porque abandonaram as palavras, porque evoluíram a ponto de se satisfazer apenas sentido a presença.
            O amor é o silêncio das melhores palavras.