terça-feira, 26 de agosto de 2014

ANJO

Imagem: Google


Antonio Silva
Você é o anjo que,
Me levará ao inferno,
Por fazer-me,
Desejar o proibido.

Por querer o
Que não posso ter,
Por querer o que,
Pertence a outro.

Com suas asas de fogo,
Me levará até o inferno,
Viajarei no teu prazer.


E lá estarei,
Pagando o preço,
Do meu desejo,
Do meu prazer insano.

Para muitos até talvez,
Fosse difícil,
Negariam o desejo,
Em troca do perdão.

Eu vou tranquilo,
Pois só em saber,
Que estou lá por sua causa,
Faz o inferno parecer,
Apenas um verão prolongado.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

ESTATÍSTICO

Imagem: Google




Antonio Silva      

Lá estava ele deitado na calçada com uma bala alojada no centro esquerdo do peito, dali em diante serviria apenas para duas coisas: molde para risca de giz branco feita pela polícia e mais um número para as estatísticas do estado.
Justo ele que de nada reclamava, naquele dia sorriso no rosto, contracheque no bolso, o salário era mínimo, mas dava para pagar as contas e viver feliz na pequena casa no pequeno bairro longe de quase tudo, inclusive dos olhos do governo.
Justo ele que só sabia trabalhar, pagava seus impostos em dia, vivia sua vida em seu mundinho particular, não gostava de futebol nem torcia, não bebia nenhum derivado de álcool, não entendia de economia, matemática, juros, inflação, filosofia, engenharia, medicina.... Enfim a ignorância também é uma maneira de ser feliz.
Antes de tudo acontecer, ele estava na parada de ônibus, embaixo de um sol de lascar, esperava... Parecia que o desodorante popular não ia aguentar, mas logo o ônibus veio, embarcou sentar seria um sonho, em pé mesmo, sentia os cabelos molhados, o suor escorrer pelo seu rosto, a pele morena transpirando parecia brilhar. Os buracos na pista sacudiam o veículo, o som das buzinas, motores, freadas e arrancadas disfarçavam o barulho do seu estômago que brigava com a fome. Ele fechava os olhos respirava fundo e sorria.
Sorria porque tinha dinheiro no bolso, pagaria as contas, dormiria em paz por saber que não devia nada, talvez se sobrasse levaria sua mulher para jantar, ele amava aquela mulher, dizia ser seu presente de Deus. Era o ponto final, deveria ser apenas sua parada, mas foi seu ponto final.
Ao descer e caminhar um pouco sentiu um calor ardente, mais forte e dolorido que o calor do sol. Não foi um disparo de luz, veio de longe, voando veloz, rasgando o vento, girando no seu próprio eixo, aparentemente sem direção tanto que ninguém a viu, apenas ouviram e quando viram ele estava no chão.
Arrombou o poro sudoríparo, destruiu a terminação nervosa, atravessou a fronteira com a epiderme, ignora os tecidos, esfacela o caminho, vai diminuindo a velocidade até ocupar um lugar definitivo naquele coração. Ouve-se gritos, desespero, telefonam para a família, para a polícia, para ambulância, ele apenas escuta, como se fosse alheio a tudo aquilo, aos poucos fechava os olhos, mas ainda viu os flashes que no outro dia estampariam os jornais, se seria vítima ou queima de arquivo pouco importava, não estaria vivo para ver mesmo. O socorro chegou tarde, suas forças já tinham acabado.
Não pagou as contas, nem pagará, não levará a mulher para jantar, nem irá voltar par casa. Foi assim que ele tornou-se famoso, estampou jornais, foi notícia na televisão, foi assim que ele se tornou o estatístico, deixou de ser cidadão para se tornar um número, um dado. Dados nos quais a presidenta no centro da mesma cidade discursava dizendo que as políticas do estado estavam coibindo a violência, mas nem sabia ela seus dados tinham acabado de ficar desatualizados e que também tinha perdido um possível eleitor.


domingo, 24 de agosto de 2014

DUNGA E SEUS ERROS

Imagem: Google


Antonio Silva

Tenho que admitir que me iludi com as primeiras palavras de Dunga amparadas pela CBF. Aquele discurso de renovação, evolução tática e técnica (este último que parte diretamente da analise dos convocados). Portanto, para mim iludido pelas palavras de Dunga esperei ansiosamente pela convocação, e ela chegou e com ela um balde de água com gelo, pois quem prometia renovação e evolução simplesmente trouxe dez dos convocados pelo seu antecessor e também gaúcho Felipão.
 E partindo para uma analise jogador por jogador fica claro que não existe renovação, que não existe planejamento, que não existe comprometimento para se recuperar a seleção brasileira, mas afinal para que pensar nisso, ainda falta muito tempo para 2018, né?
Goleiros: Jefferson, Rafael Cabral.
Jefferson continua sendo o mesmo mãos de alface de sempre, mas com a crise do Botafogo talvez Dunga perdoe sua péssima fase, e os frangos que coleciona. Rafael Cabral na hora tive dificuldade em lembrar-se dele, mas depois lembrei que ele jogou no Santos e depois?
Zagueiros: David Luiz, Marquinhos, Gil e Miranda.
David Luiz e Thiago Silva, são titulares absolutos, Marquinhos espero que apenas substitua Thiago por este estar lesionado, Gil é um zagueiro discreto, mas parece muito seguro e já Miranda é o maior acerto da zaga até agora.
Laterais: Maicon, Felipe Luís, Alex Sandro e Danilo.
Maicon parece ser a salvação do lado direito brasileiro, pois Daniel Alves é carta fora do baralho (e não se perde nada) Felipe Luís é amparado pela ótima campanha do Atlético de Madrid na temporada passada, Alex Sandro e Danilo jogam no fraco futebol português não há o que avaliar é esperar para ver.
Volantes: Luís Gustavo, Elias, Fernandinho, Ramires.
Figurinhas repetidas completam álbum ao menos nas visões de Dunga e CBF, os mesmos que fracassaram seguem. Minha esperança é Elias, mas ele me lembra muito o Paulinho espero estar errado.
Meias: Everton Ribeiro, Oscar, Willian, Philippe Coutinho, Ricardo Goulart
Definitivamente Oscar será o cara do meio campo da seleção, pois é o melhor e o mais experiente, Willian já mostrou que não passa de um jogador médio e com poucos recursos, Philippe Coutinho é um meia ofensivo e criativo demonstrou bom futebol no Vasco e está bem no Liverpool, Everton Ribeiro vive grande fase no Cruzeiro, mas não o isenta de ser um jogador médio, Ricardo Goulart meia mais ofensivo junto com Philippe Coutinho podem ser alternativas para o ataque, Goulart foi desprezado pelo Internacional saiu e evoluiu no Cruzeiro é o jogador em maior crescimento no país.
            Atacantes: Hulk, Neymar e Diego Tardelli
            Tudo indica que pereceremos de novo na suposta genialidade de Neymar, pois Hulk já mostrou ao que veio, e Diego Tardelli é de médio para ruim.
            Esse é o panorama da nova “Era Dunga” jogadores discretos, mas que sejam leais ao técnico, espero que Dunga tenha mais sorte do que teve em 2010, pois vai precisar...

sábado, 23 de agosto de 2014

COLECIONAR É PARAR O TEMPO

Imagem: Google
Antonio Silva

Mexendo nas caixas durante a arrumação do quarto em meio a muita poeira encontrei uma caixinha pequena. Na qual havia várias coisas guardadas, lembrei que quando guardei aquelas coisas fiz pensando em mostrar para meus filhos como era minha infância.
Na caixinha havia vários tazos, figurinhas, cartas. Naquela caixinha encontrei o que sobrou de minhas bolitas ou bolinhas de gude como queiram.
Ao olhar aquelas coisas retornei aos meus dez anos, quando bater figurinha e jogar bolita era tudo o que precisávamos para ser feliz. Naquele tempo isso era ter status. 
Lembrei também dos álbuns de figurinha, juntávamos moedas para comprar chiclete só pelo doce sabor da figurinha. As rodinhas de troca era o mercado negro da época. Álbum completo era objeto de exposição, naquela época isso era ter status.
Lembro-me do meu maior desafio, quando joguei minhas figurinhas raras para um álbum para um amigo que não tinha, foi um grande desafio, momento de tensão e expectativa, juntou público ao nosso redor naquele momento. Não perdi minhas figurinhas e ainda ganhei um álbum para meu amigo. Naquela época ser companheiro era ter status.
As cartas com figuras estranhas era um jogo de inteligência, precisávamos de um raciocínio perfeito para vencer. Meu bodoque também tem muita história para contar, a mira quase perfeita no tiro ao alvo em litros vazios.
Conforme fui crescendo, vi essas coisas desaparecerem, vi a infância se transformar em vídeo game, depois em computador. As crianças de hoje não querem mais saber de figurinhas ou algo do tipo.
A diversão delas é ter milhões de amigos no Facebook mesmo que seja apenas para fazer número, aparecer em fotos com os melhores momentos mesmo que nem saibam o significado de felicidade, colecionar “selfies” em sorrisos falsos que apenas simbolizam a tristeza e a dificuldade que é permanecer no jogo das aparências.
A infância de hoje morre na pressa por crescer.

PUBLICADO NO JORNAL FOLHA DE NOVA HARTZ SEMANAL ANO X EDIÇÃO N° 347 SEXTA-FEIRA 22 DE AGOSTO DE 2014


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

OLHOS SEUS

Imagem: Muddy Green




Antonio Silva
Ferimos com amor,
Quem não devemos,
Resistimos sozinhos ao olhar.
Olhares longos,
Olhares de busca,
Olhares apaixonados,
Buscamos nossos olhos,
Nos olhos do outro.
Choramos no silêncio,
Porque amamos na leveza do olhar.